terça-feira, setembro 25, 2007

À espera de cegonhas...



Estou ao pé do mar.
Oiço Maria Callas
a cantar.
Vejo um céu,
imenso e azul.

Sinto branda
a brisa fresca
e o peito
arfa, não sei
se de gozo,
se de ternura
se da vida doce
que me anima.

Na boca larga
do Tejo,
à barra ,
entra lenta,
quase parada,
a silhueta calada
de um paquete,
em festa.

Levantado ao alto,
sobre a massa d'água,
cinza,
um círio apagado
clama aos ventos
que o mar ,
ali,
se acaba
e a terra finda.

Já li um troço
do desassossego
de Pessoa
que ele gizou,
algures,
no meio da Lisboa
dos anos trinta
quando, sentia,
incógnito,
como agora eu sinto,
esta fogueira a arder,
em labaredas de vento
e de folhas leves
a subirem
como estrelas
para o firmamento
gelado e escuro
do meu passado...

1 comentário:

fotógrafa disse...

...adeus cegonha...
tu vais voltar...
a gente sonha...
é bom sonhar...
Um abraço