domingo, outubro 14, 2007

Voltei ao meu Porto d'outrora...






Oiço em segredo
lembranças secretas
e choro sozinho
minhas tristezas,
nesta cidade de pombas
e pedras lavadas.

Já não chiam
nem gemem eléctricos
e tróleis à trela,
sulcando as ruas.

Mas correm
ufanos de chiques,
Buses sem cristas,
movidos a gás!...

Lá vem,
em silêncio,
comprido,
um metro
apressado!

Parece um barco rabelo
roubado ao Douro
de bico calado.

Já não oiço
pregões de jornais
- O Comércio do Porto,
Janeiro e a Bola -
como antigamente.

Não oiço varinas
nem cheira
a vinho
e café
em todas esquinas...

Mas 'inda me cheira
a tripas
e a fumos de missas
de tantas igrejas fechadas.

Que é feito
de tanto clero opaco,
de pretas batinas,
colarinhos luzentes
e cabeças tonsadas,
a todas as horas,
pululavam passeios e ruas?...

Porque se calaram
sinetas e sinos,
cantavam de galo,
à conta do tempo?..

Onde meteram
tanta esplanada de sonho
que havia estendida
à sombra das árvores?

Só vejo bancos e bancos
de negócios ocultos,
atrás de vidraças!

Jazigos,
sem almas,
de portas cerradas.

Olho pràs casas e ruas
desta cidade de pombas
e pedras lavadas...

Onde está
o meu Porto alegre
d'outrora?...



Voltei ...ao Porto,
em 10 de Outubro de 2007

3 comentários:

Elsa Sequeira disse...

Amigo!

O teu Porto de outrora...procura, procura...estará algures aí nesse cofrinho...no teu coração! Vê-o com esses olhos!!!


beijinhos!!!!!

Conceição Bernardino disse...

AFLIÇÃO E CONSTRANGIMENTO

Eu já relatei aqui, minhas dificuldades no ano de 1998, para encontrar um advogado que aceitasse provar na Justiça, que o acidente ocorrido com Flávia, tinha sido causado pelo mau funcionamento do ralo da piscina onde ela nadava no momento do acidente. Já contei também que após muito perambular com um calhamaço de documentos em baixo do braço, acabei por encontrar Dr.José Rubens Machado de Campos, advogado que assumiu o caso e que felizmente se mantém connosco até hoje, e que tem demonstrado ao longo desses anos, muita competência e combatividade. Infelizmente, dependemos dos juízes que até hoje têm ignorado todas as provas pos nós apresentadas sobre o ralo super dimensionado para aquela piscina, e sua demasiada força de sucção.

Antes de decidir processar o condomínio Jardim da Juriti, em Moema – São Paulo, onde eu morava com meus filhos, tentei de todas as formas junto ao síndico, receber o seguro de responsabilidade existente no prédio, da seguradora AGF Brasil Seguros. O síndico respondia que não poderia me ajudar nesse sentido, pois reivindicar o seguro seria o mesmo que admitir a culpa do condomínio, coisa que ele não faria, me dizia. Passei então a escrever directamente para a AGF, descrevendo o acidente ocorrido com Flávia na piscina do prédio e solicitando o pagamento do seguro, na época, no valor de R$ 100 mil reais. Não tive sucesso e a AGF foi incluída no rol dos réus a quem processei, junto com o condomínio Jardim da Juriti e a Jacuzzi do Brasil, fabricante e vendedora do ralo.

A seguradora AGF, na sua contestação escreveu:

“......A comunicação do sinistro pelo condomínio segurado, apenas relatou o acidente, não admitindo para si, qualquer responsabilidade quanto à ocorrência do mesmo. Assim , não poderia e não pode a ora contestante liberar o valor da importância segurada sem que esteja comprovada a responsabilidade do condomínio pelo evento. A seguradora não tem qualquer responsabilidade directa com as autoras....”

Nosso advogado trabalhou, e o juiz entendeu, que se um condómino sofre um acidente dentro do condomínio, ele tem sim o direito a receber o seguro ali existente. A AGF adiou o quanto pode o pagamento desse seguro de responsabilidade civil existente no condomínio. Graças ao trabalho de Dr.José Rubens e o discernimento de um Juiz, o valor foi pago, - um ano e onze meses após o acidente, sob ordem judicial e ameaça de cobrança de multa diária, caso o valor não fosse depositado em nome de Flávia na data estipulada. No entanto, mesmo tendo sido pago quase dois anos depois do acidente, a AGF não pagou nem juros nem correcção monetária. O tempo em que fiquei pelejando para receber o seguro da AGF agravou minha aflição e me causou muito constrangimento, pois precisei depender de favores de terceiros para garantir a sobrevivência de Flávia, enquanto possuía legítimo direito de receber a indemnização do seguro.
Posted by Odele Souza at 12:38 PM
http://www.flaviavivendoemcoma.blogspot.com/

(O caso Cláudia, não está perdido. Mandem Mails a esta gente e não só:

geral@embaixadadobrasil.pt

Mas não digas palavras doces. Carrega um bocadinho no português "marracónico": envergonha-os, que é o que eu faço.
Pede a outros blogues que façam o mesmo.)

fotógrafa disse...

AH!!!, mas ainda acho o Porto uma cidade do coração...
Continuo a amá-la!!!