sexta-feira, novembro 21, 2008

O CAROLINA DO AIRES

Todo em madeira envernizada,
Em desenho simples,
muito nobre.
Envidraçado.
Não era para bolsa pobre.

Comida apetitosa,
Variada,
Desde o pescado
de toda a maneira.

A borregada,
O ensopado.
Que rico forno!

Aquelas batatinhas
Bem assadas,
Acompanhadas
A esparregado!

Dobrada, nada.
Nem feijão frade.
Nem o cozido
À portuguesa.
Pela vaca não,
Talvez apenas pelo porco.
O dono seria mourisco!

A pinga sempre quentinha
De adega alentejana,
Trepadora de montanha
Que alegrava os corações
Quanto mais fugia à planície.

Vizinho do mar.
Preferia a mariscada.
Que regalo de lagosta!
O perfume a maresia,
p'ró cliente que não gosta.

Sobremesas variadas,
De mãos de mestre,
Embaladas de segredo,
Regadas a port winw,
À porfia com wisque.

Sempre cheio no Verão.
Convívios familiares.,
Esbordando de alegria.
Como os lembro
Com saudade!...

Meus filhos de hoje
Eram netos
a despontar.
Disputavam sobremesas
Que só o fraquinho dos avós
- inocentes ardilezas -
Era incapaz de recusar.

Sobreviveu a tanto Inverno.
Tempestades de temer.

Ao fim de tantos anos,
Eis que as ondas do progresso,
Tão balofo,
Ou só fantasias de edis,
Cegamente,
O vão fazer desaparecer!..

Quis a sorte ou o destino
Que ontem,
No derradeiro dia,
Nós fôssemos lá jantar!...


Costa da Caparica, 15 de Novembro de 2008
Joaquim Luís Mendes Gomes




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