quinta-feira, julho 12, 2007

Da minha janela, eu vejo...




É meio dia.
Da minha janela eu vejo
um terreiro, sujo,
com restos de obras,
começadas há muito,
cujo fim eu não vejo.

Montes de areia,
à solta,
com terra sombria,
roubada
ao sítio
onde morava
e dormia.

Tábuas escavacadas,
papelada e cascalho,
sem conta,
barro e cimento,
caixotes verdes de lixo,
vazios aos pares.

Ao centro,
no resto das ervas,
numa mancha
apagada de cinza,
um negro,
curvado,
cansado,
boné na cabeça,
reacende as brasas
com nuvens de fumo.

Dum papel de jornal,
embrulhadas,
à toa,
saem-lhe três peixes,
sardinhas?
luzentes de prata.

Por entre névoas
cinzentas,
de fumo ao vento,


daquele braseiro,
de fogo,
mortiço,
exalam
a força e sustento
daqueles negros
e brancos,
d'agora e de sempre,
enquanto obras houver,
no terreiro em frente,
à minha janela,
de branco...
recostado,
à sombra!...

1 comentário:

Elsa Sequeira disse...

Olá Poeta!!!

Sempre no teu melhor estilo!!!


beijinhos!!!