segunda-feira, julho 02, 2007

Os Cacos




Não há uma só desgraça
que venha só,
sem que antes
se dê um falso passo
ou passo em falso.

Não há traça
na arca
ou no vestido,
sem pó a mais,
ao canto da janela,
ou sob o tapete
do entrada.

Não há prémio,
não há taça
que se ganhe
ou que se perca
com a força
dum só braço.

Para que serve
o brilho basso
e a vaidade
do vitral,
ou a finura
da faiança,
se basta o golpe
dum sopro fraco...
e fica tudo
feito em cacos!...

2 comentários:

Elsa Sequeira disse...

Tudo é tão frágil...como nós!

beijinho!!!

Anónimo disse...

Grande verdade encerra este poema,tanto que nos "obrigam" a consumir que ficamos consumados ...(sorri),daí que ainda tenho alguma "inveja" de certos povos que vivem como nos primórdios da Criação,apenas a Natureza e mais nada....e tão pouco basta para ser feliz.