segunda-feira, março 10, 2008
Num Bar da Fnac...com fome de gata!
Um espaço sombrio,
vasado por focos eléctricos.
Enfocam mesas redondas
e cadeiras de braços,
frente a um palco,
de tela sem vida.
Chovem do tecto
ondas sonoras,
frenéticas,
trovoada sem raios,
de vozes de negros
e sorrisos
que batem o pé,
ao tom de tambores
e cheira a café.
Quadros em fila,
cor de nankin,
com rabiscos
de rostos humanos,
velhos e novos,
e objectos,
sem história à vista,
emolduram paredes,
como gravuras rupestres,
ou fósseis futuros.
No recanto da sala,
um minúsculo balcão
cobre de vidro,
dezenas de bolos,
argamassa de gemas,
com creme e sem creme
e sumos gelados
de frutas,
de cá e de lá.
Empregadas de fora:
do Brasil
e das Áfricas,
espreitam a sorte,
ganham seu pão,
por côdeas de notas,
fazendo o que não faz
a prata da casa,
com barriga de fome...
Que democracia anarca
reina este País,
onde medra
tanta fnac,
com fome de gata!...
Almada, 7 de Março 2008
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