segunda-feira, março 03, 2008

...numa cabana, à beira do mar...




"-Quero escutar
os segredos do mundo
e viver numa cabana,
à beira do mar..."

Ouvi-o, há pouco,
dum laureado,
jovem escritor,
deste meu Portugal.

Gostei de ouvi-lo!...

Crédulo,
como sonhava,
tão alto,
ao pé da escola
que lhe dera o prémio!...

Não há muito,
eu, jovem,
e tantos, tantos,
em número
sem fim...
também, em vão,
sonharam,
assim.

E senti pena!

E senti medo!
Por ele:

Que a mesma terra,
cega,
vesga,
que o engoda,
agora,
lhe seja falsa,
e madrasta,
como foi
para tantos,
como foi...
para mim.


Daqui, eu te imploro
daqui eu te grito!?...

Ó Jovem que crês
e que sonhas!

- Vai longe,
rasga este nevoeiro,
cerrado,
pintado de cinza,
corre esse mundo,
vai por aí fora,
descortina primeiro,
o primeiro segredo,
duma enseada calma,
à beira dum mar
que seja justo e albo,
para essa cabana,
serena,
que em sonho,
tão cedo
e tão linda,
te nasceu na alma!...

Larga!...foge!...
desta terra-degredo,
sem norte,
não sente...
que mentiu
e que mente!

Desta terra...
que foi
tão espinhosa,
tão estéril...

Para mim,
já morreu!

- É certa a hora!
Ó jovem que sonhas
um sonho, tão lindo!
Não o deixes morrer!...
....................
Faz-te
cedo,
ao mar!

Paredão da Caparica,
Março 2008

3 comentários:

Teresa Calcao disse...

Que este grito de ESPERANCA...... seja ouvido,por todos aqueles que ainda ACREDITAM.......
Excelente poema!!!!!!!
Abraco terno

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes disse...

Fico contente com o teu elogio.
Um abraço
J

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes disse...

Fico contente com o teu elogio.
Um abraço
J