As pautas falsas…
Assomo à janela com o habitual receio
Dum lusitano.
Sob um céu negro e fosco,
Um chão branco refulgente,
De neve morta.
Com cuidado, rodam filas de carros
Pelas estradas já libertas
Pela canseira pronta e atenta,
Quase desesperada
Dos limpa-neve camarários.
Sempre atentos.
Que não regateiam rendas,
Para limpar a neve.
É o bem de todos que está em jogo.
Não se discute.
Primeiro cumpre-se
E só depois…muito depois,
Se reclama, se houver forte razão.
É assim em tudo.
Que regalo estar no seio
Deste povo ordeiro,
Às vezes exagerado.
Tudo tem as suas normas.
É só segui-las. Sem discutir.
Por isso, não há nada
Que não carbure bem.
É no hospital. Tudo igual.
Para toda a gente.
Do melhor que há
E que ali está a tempo e bem.
É na segurança social.
Quem toma a iniciativa aqui é ela
É quem propõe sem discutir,
Adivinha o que faz falta,
Para cada um, naquela hora.
Sem discutir.
A confiança de todos é total.
Por isso, não razão
Para assaltos de quaisquer ordem.
Em toda a escala…
Pode andar-se por todo o lado…
A qualquer hora, descansadamente.
Sem olhar para trás
Ou de olho ao lado.
A polícia é omnipresente.
Com farda e ocultamente.
Ali está no momento. E leve.
O rosto de quem se encontra na rua,
Vai sereno.
Sem consumições estampadas de rugas negras.
Sem olhos tristes.
…Virá o descanso certo, depois da jorna.
São em tudo…
Iguais às gentes laboriosas
Da minha terra, no seu melhor.
Assim fosse lá…e porque não?
Um dia será…estou certo disso.
Só faltam bons regentes…
A orquestra há e toca bem…
Se puxam por ela…Vamos lá!…
Corramos com quem as falsas batutas
De quem nem sabe música…
Esses filhos da pauta,
Com notas falsas…
Incompetentes…ignorantes!...
Aprenderam fora.
São uns filhos da troika!
Da mafia!
Uns vigaristas!...
Ouvindo Hélène Grimaud, em 4º concerto de Beethoven
Berlim, 22 de Janeiro de 2013
6h49m
Joaquim Luís M. Mendes Gomes
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