terça-feira, janeiro 22, 2013


As pautas falsas…

 

Assomo à janela com o habitual receio

Dum lusitano.

Sob um céu negro e fosco,

Um chão branco refulgente,

De neve morta.

Com cuidado, rodam filas de carros

Pelas estradas já libertas

Pela canseira pronta e atenta,

Quase desesperada

Dos  limpa-neve camarários.

Sempre atentos.

Que não regateiam rendas,

Para limpar a neve.

 

É o bem de todos que está em jogo.

Não se discute.

Primeiro cumpre-se

E só depois…muito depois,

Se reclama, se houver forte razão. 

É assim em tudo.

Que regalo estar no seio

Deste povo ordeiro,

Às vezes exagerado.

Tudo tem as suas normas.

É só segui-las. Sem discutir.

Por isso, não há nada

Que não carbure bem.

É no hospital. Tudo igual.

Para toda a gente.

Do melhor que há

E que ali está a tempo e bem.

 

 É na segurança social.

Quem toma a iniciativa aqui é ela

É quem propõe sem discutir,

Adivinha o que faz falta,

Para cada um, naquela hora.

Sem discutir.

 

A confiança de todos é total.

Por isso, não razão

Para assaltos de quaisquer ordem.

Em toda a escala…

 

Pode andar-se por todo o lado…

A qualquer hora, descansadamente.

Sem olhar para trás

Ou de olho ao lado.

A polícia é omnipresente.

Com farda e ocultamente.

Ali está no momento. E leve.

 

O rosto de quem se encontra na rua,

Vai sereno.

Sem consumições estampadas de rugas negras.

 Sem olhos tristes.

…Virá o descanso certo, depois da jorna.

 

São em tudo…

Iguais às gentes laboriosas

Da minha terra, no seu melhor.

Assim fosse lá…e porque não?

Um dia será…estou certo disso.

Só faltam bons regentes…

A orquestra há e toca bem…

Se puxam por ela…Vamos lá!…

Corramos com quem as falsas batutas

De quem nem sabe música…

Esses  filhos da pauta,

Com notas falsas…

Incompetentes…ignorantes!...

Aprenderam fora.

São uns filhos da troika!

Da mafia!

Uns vigaristas!...

 

Ouvindo Hélène Grimaud, em 4º concerto de Beethoven

 

Berlim, 22 de Janeiro de 2013

6h49m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

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