Desesperadamente,
Altivo,
Apareceu no palco,
Abeirou-se do piano.
Abeirou-se do piano.
Uma saudação perfeita
E pôs-se a tocar.
As teclas fugiam-lhe
Nervosas e obedientes,
Debaixo dos dedos.
Pareciam gazelas, cheias
de medo,
Dum lobo faminto que as
perseguia.
Soltavam sons tão
plangentes,
Com tanto vigor,
Tanta revolta,
Pareciam chorar a morte súbita
D’alguém querido.
Dos que se vão
E não mais voltam.
Que sentimento forte e
quente,
Saía daquele piano
imenso!...
Ficámos presos,
Sem poder reagir.
Sem dar conta,
Pelas escarpas íngremes,
Sem dar conta
E olhar para trás,
Chegámos ao cimo.
Éramos só nós, no alto.
Em cima, o céu profundo.
Ao longe, os campos
retalhados
Em muitas leiras,
De tantos tamanhos
E múltiplas formas …
As colinas eram ondas,
Pareciam bailar
Brilhando ao sol,
Numa sinfonia de cor,
De tantos matizes.
Eram flores, ao deus
dará.
Que lindo quadro.
Que ninguém pintou.
Só nós o vimos.
Ouvindo Lang Lang, ao
piano, tocando a sonata 23 de Beethoven
Berlim, 16 de Janeiroi de
2013
20h20m
Joaquim Luís M. Mendes
Gomes
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