quarta-feira, dezembro 06, 2006

O meu computador

O meu computador


Quando fechado,
é azul-cinzento
o meu computador.
Noite cerrada,
céu pardacento.
Natureza morta,
lareira apagada.
Tempestade a dormir,
inverno gelado
à espera de vento.
Pássaro ferido,
asas em sangue,
de bico sem canto.
É mendigo pasmado,
à espera de esmola.
É viola calada
com fogo lá dentro.
É raio de sol,
tingido de negro.
É viuvo atónito,
famindo no corpo
e sede na alma.
Não se conforma.
É navio encalhado,
com velas ao vento.
É perro fiel
à espera do dono.
Quando aberto,
Bate-lhe o sol,
há milho na eira.
Com lâmpada acesa,
Vira fornalha.
É perfume de pinho,
Em nuvens de fumo
a sair da fogueira.
É ramada de uvas,
é pipa de vinho,
bebedeira de sonhos,
é harpa a tocar.
É caravela de estrelas
em mar infinito,
em noite de lua.
É arena a ferver,
em raiva de espuma,
tempestade de palmas.
É correio da tarde,
madrinha de guerra
em trincheiras de medo.
É cavalo-ginete,
crinas à solta.
É um filho que foi
e que volta
das noites do tempo.
Berlim, 3 de Dezembro de 2006
06h e 57m

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