sábado, junho 02, 2007

O cão da dona




Tem umas orelhas
longas, longas,
quase lhe abraçam
o pescoço bem malhado.

Tem um peito largo,
de atleta,
como se fosse
um gordo
cesto de uvas.

Tem uns olhos negros,
de morcego,
muito mansos,
espalham ondas
de ternura
pelo ar.

Tem uma cauda meiga,
de sereia
e umas patas,
rastejantes.

Tem um focinho agudo
de mosca acesa,

- onde poisa,
tudo cheira.

Tem uma cabeça nua,
de traineira,
sem mastros
e sem velame.

Oh!
E como ele gosta do
jesuíta
e da bola de Berlim!...

Bar de Santo António da Caparica
2 de Junho de 2007
10h e 10m

2 comentários:

Anónimo disse...

não é só o cão da dona a gostar de bolas de berlim ...rsrs pior são é o gastrol=colesterol...risos
Continuo a deliciar-me com os seus poemas,simples mas sem dispostos.
Bem-haja.
Tb criei um blog com as minhas palermices...

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes disse...

Fiquei tão deliciado com a tua bola de berlim...como o cão anafado que meus olhos viram tão deliciado a devorar a dele...no bar de santo antónio, este domingo pela manhã.

Eu sofro do colestrol...(220!)a dona dele, possivelmente, também. O cão, se calhar...não.

mbjs
bico de pato