quarta-feira, junho 06, 2007
Tourada
Naquele pedaço redondo
de terra fechada,
escondida do monte
de terra lavrada,
com uma cascata de bancos,
à volta,
cheios de gente sentada,
vai dar-se
um encontro feroz,
entre um gigante
de força amestrada,
uma fera medonha
que cresceu enganada
e um anão,
espertalhão,
enfeitado,
de força pensante.
Ao som reluzente
da corneta animada,
há gente escondida
que abre valente,
as portas do curro,
estreito e fundo,
para a fera traída
entrar triunfante.
Os olhos da turba
sedenta de sangue,
pesam os quilos
da fera pesada,
O gigante de força
com o anão espertalhão,
escachado nas costas
põe-se a correr por correr,
em voltas de medo,
ao redor da fera de espuma,
enganada.
À falsa fé,
crava-lhe um ferro
no lombo em sangue.
Ressoam as palmas
em catarata,
retinem frementes
os cornetins,
aquecem os ânimos
em sede crescente,
somam-se os ferros
na fera indefesa,
sem ninguém
que lhe valha.
Espantada, aturdida,
a fera traída
luta valente
até à última gota.
A festa de sangue
só acaba
quando a multidão,
saciada,
vê apagada
a chama de força
da fera prostrada
pelo anão espertalhão,
pavão enfeitado,
escachado nas costas
da fera amestrada.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário