sexta-feira, junho 08, 2007

Pescador avesso e solitário




Em cima daquelas pedras,
cravadas bem ao fundo,
ao pé das salsas ondas
dum bravio mar profundo,
está um homem solitário,
avesso à loucura cega
que perpassa
todo o mundo.

O chapéu
é o azul do firmamento,
o vento brando
é o mensageiro
pronto,
dos milhões de sonhos
que lhe vão
no pensamento.

A solidão
daquele mar,
a doce companheira
que o consola
a toda a hora.

Apaga a sede
delirante
com a frescura
e o perfume
inebriante
da infinita
liberdade.

Colhe pão e vinho,
ao sabor
de cada instante,
na seara e no vinhedo
daquele oceano
ondulante.

Conta o tempo
e as horas
ao vai e-vem,
sempre certo das marés.

No final de cada dia,
o pescador,
avesso e revoltado
com o mundo louco,
atrás de si,
adormece
embalado
pelo canto de sereias,
enamoradas,
com a rosácea infinita
do firmamento
estrelado!...

Aquele homem
pescador,
avesso e solitário
sou eu!...

1 comentário:

Anónimo disse...

Então já somos dois solitários....não sou é pescador...rsrs
Daqui uns dias colocarei um post sobre a "solidão".
Continue a pescar as suas "pérolas" do coração porque são genuínas.:)
E quanto à serra d'Arga,nem me fale,que saudades do meu querido Verde!!!....