segunda-feira, abril 16, 2007

Meninos da rua


Meninos das ruas,
imundas,
do Rio de Janeiro,
de Guatemala,
e outras ruas sujas,
que eu não vejo,

escravizados
da faca afiada,
apontada
ao vizinho
que passa,

e da cola sinistra
que regala de luxo,
as mansões
de todo o mundo,

só para enganardes
a vossa fome...
de viver.

Meninos,
abandonados,
que crescéis,
desfigurados,
amarrados
às grades de ferro
das vossas camas,
pelas cidades-berço
da inteligência iluminada
de Atenas
e Tessalónica
e tantas mais...

Meninos encarcerados,

só,
por causa da vontade
que tendes de viver...

de castigo,
nas masmorras,
fedorentas,
sem pão,
sem abrigo,
nas calotes geladas
da Sibéria.


Meninos esfarrapados
das vielas
que passais a droga,
nas cidades da cultura,
do Porto,
de Coimbra
e de Lisboa,
do Douro,
do Mondego
e rio Tejo,

meninos
que eu vejo,
mas faço que não vejo...

Meninos a morrer,
agora,
em todo o mundo,
que, ao vosso jeito,
assim...desse modo...
gritais tão alto,
incómodos,
com esses restos
da liberdade,
que vos resta...
ao mundo que é vosso irmão:

- porque é que não nos querem deixar viver?...

Eu choro por vós,
de dor
e de vergonha!?...

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