segunda-feira, abril 02, 2007

APANHAR PERCÊVES

Rochedos nervosos,
a escorrer,
em queda livre,
até às profundezas do mar
que estrebucha,
em vagas revoltas,
contra os segredos
das cavernas de riqueza
que não é de ninguém...

É de quem a apanhar!

Valentes,
desarmados,
assim foram já
o pai e o avô,
agarrados, só,
à força retesada
dos braços
e das pernas
que Deus lhes deu,

aí vão,
possantes,
inverno e verão,
escarpa abaixo,
aos zigue-zagues,
pelo caminho
que não há...
Só eles vêm.

Jogando,
em desafio,
ao bate-e-foge,
com a dança macabra
das ondas cegas
e daquele polvo negro
das marés,
contra os rochedos...

É a apanha dos percêves,
que vestem de verde,
as pedras tortas
e abandonadas...
Não são da terra,
nem do mar.

A ponta afiada
dum escopro
de pedreiro,
descrava para o bornal,
os perceves alapados,
dos cachos regados
pelas ondas loucas,
desencontradas
daquele mar.

Que seara verde,
de riqueza,
tão escondida
que é só deles!...

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