quarta-feira, maio 09, 2007

Ao meu Pai

Foi em Maio
que partiste,
há muito,
em Varziela,
florida.
Eras vida em primavera.

Foste ter com o amor
que contigo
me deu o ser.

Que saudade
dos teus beijos
ao acordar e ao deitar...

E da força forte
dos teus braços,
amparando meus passos,
de menino,

E do papagaio colorido,
de papel,
que me fazias,
cada ano,
na mesa larga da oficina,
num intervalo de labor...

Como voava alto
aquele ladino,
na brisa mansa
do mês de Maio!...

E das sessões
de risco, mestre,
com giz azul e
mão certeira,
talhando
em geometria rigorosa,
as calças de cotim
e fatos novos
de fazenda
- a alegria domingueira,
de arraiais e romarias
dos fregueses...

E das noitadas de serão,
pela Páscoa
e pelo Natal,
em fantásticas cavaqueiras,
noite adentro,
aprontando roupa nova,
à medida dos fregueses,
que na volta
da missa domingueira,
a levavam sem pagar...

E das longas conversas,
muito sérias,
comigo,
um teu igual,
sobre sonhos de menino,
devaneios de rapaz...

Que horas tão bonitas...
da minha vida
tão lá atrás!

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