quinta-feira, maio 24, 2007
O retratista
Na esquina da rua,
boné na cabeça,
sentado no banco,
lápis na mão,
frente ao painel,
à vista do mundo,
vai começar
um acto de amor.
Na tela em branco,
só ele vê
a obra d'artista,
ali vai nascer.
Em risco seguro,
define-lhe o rosto.
Abre-lhe os olhos
debaixo da testa.
Protege-os do sol,
com sobrancelhas escuras
Rasga-lhe a boca
sem nada na mesa.
Ao cheiro duma flor,
um nariz aparece.
Com segredos de amor,
nasce o ouvido.
Um sorriso brejeiro
desponta nos lábios.
Com toucado de ébano
lhe envolve a cabeça.
Inebriado de luz,
o jovem artista,
olha em redor.
Os olhos da alma,
choram de lágrimas,
p'la partilha divina
do Criador...