terça-feira, maio 22, 2007

Vento




Quem és tu,
donde vens,
ó mago cantor
das noites de inverno,
nas janelas cerradas
da minha infância?

Enchias de pavor
as matas e os casebres
da minha aldeia,

mas enchias de lenha
as lareiras
e os fornos do pão
para uma quinzena inteira!

Tingias de luto,
os invernos da Póvoa
e Vila do Conde,
nas tuas refregas de morte,
com a fúria do mar...

mas cobres de ondas
as searas verdes,
as encostas meigas
e as colinas...

Atiças fogos,
de crime,
de cinza e de morte,
pelos segredos
das montanhas!

Mas espalhas nos lares,
as badaladas de paz
das ave-marias...

Humilhas, feroz,
os fortes e fracos,
em toda a parte,
sem olhar a quem...

Semeias desgraças
e foges, cobarde.
Não és de ninguém...

Quem és tu,
afinal,
amigo ou não,
gigante ou anão
vento valente,
brisa suave,
fúria dos mares?...


Não sei se te ame
ou te renegue!...

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