sábado, maio 19, 2007

O homem do turbante




À minha beira,
no comboio,
apressado,
vai um homem,
maduro,
de turbante.

Nariz adunco,
todo impante.
Bigode pardo,
olhos fundos,
num sobrolho carregado.

Ali vai só...
a nosso lado,
no comboio cheio.

Onde pairará
a mente dele?...

Nas areias longínquas
do deserto
donde veio?...

Ou chora só
seus desenganos
pelas miragens deste oásis?...

Uma coisa eu vi:

Vi o sol
a brilhar
sob o turbante,
no oásis verdadeiro,
do fundo dos seus olhos!...

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