sexta-feira, janeiro 12, 2007

bar de madeira

Num bar de madeira,
vasado de luz,
batido de chuva e de vento,
alcanço o mar pardacento,
através da vidraça,
fria e molhada.

Ao longe, sorri-me
uma nesga alba de casas.
Parecem um paquete,
lento e sem fim,
que entra calado
na foz.

Tremem no ar
a voz dum tenor
e um fundo orquestral,
tingidos de dor.

Da máquina cantante,
escorre café
p'rá freguesa,
frenética,
de fala irritante
que espera de pé.

Como as nuvens do céu,
assim, se desfazem,
na terra,
o tempo e as horas.

Paredão da Caparica

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