quarta-feira, janeiro 24, 2007

Palavras...

Somadas,
uma a uma,
alinhadas
em castelo,
inodoras,
perfumadas,
rima pobre
rima rica,
mais ou menos
colorida,
- não importa -
cantam hinos,
serenatas,
cantam fados,
abrem portas
e janelas
como fadas,
são poemas.
São lareiras,
quebra-gelos,
chuva branda,
chuva grossa,
rio largo,
fonte santa,
matam sede,
saram feridas,
cozem pão.
Arrumadas,
pedra a pedra,
como teias,
sobre o chão,
são abrigo,
tecem estradas,
chegam longe,
dão as mãos...
Jogadas ,
à toa,
pelo vento,
como brasas,
não há honra,
nem seara
que se salve.
Atiradas,
às cegas,
como pedras,
não há rico,
não há pobre,
não há forte,
não há fraco,
Não há vivo
que resista
......
Até os mortos,
na cova eterna,
estremecem...
Berlim, 2007

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