Longos, vizinhos,
arrancam esguios,
até aos telhados,
lá do fundo do chão.
Parecem soldados.
No segredo da noite,
sentinelas alerta,
ao pé das varandas,
arrostam o frio,
tecem seus robes,
com farrapos de lã.
Às horas de sol,
Espalham beijinhos,
oferecem abraços,
cada manhã.
Trepam-lhe esquilos,
poisam-lhe os corvos,
alargam seus braços,
luzem folhinhas,
parecem flores.
Atrás das janelas,
brancas cortinas,
em renda bordadas,
escondem horas,
de todas as cores.
Por serenas ruelas,
à volta das casas,
há velhos sozinhos,
desceram as escadas,
passeiam os cães.
Nuvens cinzentas,
em valsas constantes,
correm ao vento,
andam perdidas,
como pardais.
Desta janela,
só de olhos cerrados,
vejo,lá longe,
Lisboa e o Tejo.
Berlim,2005
sábado, fevereiro 24, 2007
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