segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Paris em Janeiro

Sábado,
frio e cinzento.
Montparnasse,
no coração de Paris.

Formigueiros
de gente, sem rosto,
em golfadas de nervos,
cruzam passeios,
ruas e largos,
mortos
por gelo invisível.

Fumegam narinas,
acesas,
como lareiras.

Por trás das vidraças,
morrem paradas
as horas.

Nos boulevares,
correm cortinas
e moços dos bares,
em todas as esquinas,
à volta das mesas,
redondas,
aos pares.

Matilhas de carros,
de vidros sombrios,
e o fumo que deixam,
atrás,
rugem e fogem
calados
como casas fechadas.

Na mesa ao meu lado,
uma dama,
de rosto maduro
e cansado,
há horas que fala...

Fala que fala
para um sujeito,
sem alma.

Nem os comboios
que chegam e partem,
de porta fechada,
solenes,
bico aguçado,
à tulha de gente,
apressada
apitam para o alto!...

1 comentário:

Elsa Sequeira disse...

olá!!

Adoro os teus poemas!!!
Lindo, simplesmente lindo!!!


Muita força pa ti!
:))