terça-feira, fevereiro 06, 2007

Mercado de mouros

Num rectângulo negro,
de praça,
preta de pês,
talhado
por ruas e carros
que passam à vez,

cada dia que vem,
em Perpignan,
desde manhã,
há arraial a valer.

Tudo presente.
Só faltam camelos,
à moda de Ceuta,
d'Alger
ou de Fez.

Abundam mulheres
e turbantes berberes.
Há rostos, aos centos.
Tisnados
de sol e deserto,
banhados
de lua e de vento.

Toscas gavetas,
caixotes,
no chão,
expostos ao sol,
sopram odores,
incolores,
de hortas, jardins,
de todas as cores,
como se fosse um oásis.

Viajaram secretos,
em caravana,
pelo meio das dunas,
como se fossem senhores.

Bateram o mar,
azul e cinzento,
brando por fora,
tormenta por dentro.

Trouxeram sabores
e labores,
à moda de lá,
p'ra todos os gostos.

Dos que há muito
vieram p'ra cá,
por força da vida
ou vontade de Alá...

(Em Perpignan)

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