terça-feira, fevereiro 27, 2007

Amanhecer

Uma lâmpada
que se abre
em nave que viaja;

O universo em forja
que se esparsa
em faúlhas
de fornalha;

Uma aurora inebriada
do luar da madrugada;

Galos de crista em fogo,
a cantar em desgarrada;

Uma neblina leve
a afagar fontes e riachos;

Um silvo de fumo branco
dum comboio de saudades;

Uma sirene estridente
a chamar gente
para os teares;

Um vapor cansado
que vem
carregado de pesca brava;

Um rebanho à solta
pelas dobras da montanha;

Um balão de cores
à procura de arco-íris;


E, muitas vezes,
uma nuvem baça,
carregada de temporal,
que, parece, nunca passa...

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