sexta-feira, março 16, 2007
Bonsai
Aquele coitado,
de bico calado,
asitas abertas,
bem engrenhadas,
verdes na cor,
não voa,
não canta,
só dorme,
parece que hiberna.
Ao sol da janela,
parece uma arara,
poisada,
sem pressa,
sem fala,
olhando pró céu,
mirando as nuvens,
em cima da mesa,
no meio da sala,
cerrada,
só peca...
ninguém
lhe perdoa
ninguém
o confessa.
Tão pequeninho,
esquecido no tempo,
gostava de chuva,
gostava de vento,
ninhos com ovos,
fossem de pega
fossem de cuco,
cócó de pardal.
Coitado!...
de noite,
sózinho,
na sala,
vela apagada,
só sonha.
Nada lhe toca,
nem uma flor,
dele não sai...
Pela manhã,
vem a avó,
sopra-lhe o pó.
Vem o inverno,
gelado,
e a neve
não cai...
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
1 comentário:
grande pedrada nos heróis do "descolonialismo".
Enviar um comentário