quarta-feira, março 07, 2007

Silêncio das formas


Esbordam de verde os campos.
De vento abanam as serras.
Tremem de medo as trevas.
De fome fugiram os lobos.
Serenas dormem as pedras.

Escorrem sementeiras das fontes.
De sede desertaram desertos.
Ardem fogueiras
no peito ocultas.

Geométricas, mansas,
longe das estradas,
em silêncio,
à solta,
ruminam as vacas,
sacudindo as moscas.

Presos, sem fome,
ladram os cães
aos miúdos que passam.

Raivosas,
de cio ou fome,
miam as gatas.

De hortas e fenos
se enlaçam as casas,
bordadas de muros.

Rugem, fumegam tractores
lavrando searas.
Pelas leiras em festa,
espanejam as aves canoras
e devoram as larvas
que sobram.

Nas igrejas,
dobram os sinos
e rezam às almas.

Abraçados na escola,
há horas a fio,
crescem
os meninos e mestres...




2 comentários:

Elsa Sequeira disse...

Olá amiguinho!!

Gosto desta tua forma de escrever,
o discorrer
sereno e puro da tua alma!!

beijinhos do coração!
:)=

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes disse...

Outros muitos para ti!...
Encontrar o teu comentário foi como quando encontrava uma prenda no sapatinho de Natal...
Obrigado pela prenda...
Bjs.
JG