Toda a manhã,
lá no Restelo,
eu não fui só.
Um saquito á toa,
de plástico,
amarelo,
dançou,
muito leve,
à minha frente.
Mais leve
que o chinelo
em renda
e quarto
duma avó.
Suas alças
eram braços,
eram pernas
rodopiavam
como velas.
O bojo,
meio d'ar,
um bailarino,
sobre gelo,
muito ágil,
como pena
de pavão.
O palco
era nu,
era frio,
era breve
como a rua
no inverno.
A música,
intermitente,
era quente
como o vento
que o enchia.
Sonâmbulo,
teimoso,
irrequieto,
como mosca,
como rato,
quase murcho,
quase morto.
Enfunado,
revoando,
se rojando,
em volutas,
desconexas,
pelo ar e
pelo chão.
Ia e vinha,
indiferente,
tresloucado,
incessante,
em voltas,
reviravoltas,
esconde-esconde,
sobre carros
sobre abetos.
Qual gaivota,
graciosa,
acrobata,
qual insecto,
impertigado,
ou papel
de rebuçado.
Toda a manhã,
manhã de inverno,
lá no Restelo,
eu não fui só...
segunda-feira, março 05, 2007
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
2 comentários:
Amigo!!!
Gosto da ta forma de escreveres, assim natural e simples (que é para mim a forma que mais valor tem!!!), e sentir que te deixas tocar também pela simplicidade das coisas!!
Só mais uma coisinha! NÃO DESISTAS NUNCA!! POR FAVOR!!
beijinhos!
:)
Obrigado pela visita e pelas palavras de apoio.
Desistir de escrever ...é-me impossível.
Muita força para Vós...a vossa luz e claridade fazem falta e muito bem.
Bjs
Joaquim Gomes
Enviar um comentário