terça-feira, março 13, 2007
À minha porta
Ouço passos
de gente morta.
Passam vivos
à minha porta.
Cada dia,
vão de carro,
em cardumes,
vão de mota.
Sequiosos,
insaciáveis,
não é de paz,
não é de pão...
Correm e.correm,
em lufa-lufa.
Vão p'rá banca,
não vão p'rá tropa...
O que têm
lá na toca
nunca chega,
não é muito,
é muito pouco.
Querem mais
e sempre mais,
mais que o dobro
do seu vizinho.
Um carro novo,
topo de gama,
um foguete,
uma bomba,
sempre a luzir.
Casa grande,
muitas varandas,
e uma piscina...
cama fina,
de rica renda,
como a rainha.
E a barriga?
a abarrotar,
lá bem do fundo,
até à boca.
E p'rá sua alma,
que é que importa?
Não é a missa,
nem funeral...
É só Benfica,
é futebol,
é carnaval,
sei lá que mais,
em cambalhota...
Passos de vivos
de gente morta!...
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