quinta-feira, março 08, 2007

PALHAÇO

Vibrou a harpa
e o violão.

A chilreada
da pequenada
enche a sala
e o silêncio cai.

Rufa o tambor
e ele vem.

Num instante,
um pigmeu,
- nem é pobre
nem é rico-
sapatorras,
sem medida,
chapéu às três pancadas,

olhos pretos,
mui vivaços,
com faíscas
de vidraça,

um bigode
sem sentido,
bochechas de malícia,

boca larga
de pandeiro,
núvem negra de pestanas,
da batata rubra no nariz
à cova funda das orelhas,

com ágeis cambalhotas,
grossas quedas desconexas,
apesar das calças rotas,

trauteando disparates,
ladainhas de asneiras
e coisas sérias
à mistura,
com toques de corneta,
mais
filosofia de baratas,

ao tom de pandeiretas,

aquele desajeitado,
na trotineta,
sem pedais,

sózinho,
sobre a cena,

com a graça dum menino,
e as garras dum gigante,

num repente,
de choro,
alagou a sala,


pôs o palco num fanico,
e todo o mundo
à gargalhada!...

2 comentários:

Elsa Sequeira disse...

Olá1 Miguito!!

Vai ao meu cantinho, tenho lá um desfaio pa ti!!!
Muita força!!
Beijinhos!!!

Elsa Sequeira disse...

Olá!!!

Que lindo o palhaoço!!!

Ah! tenho um desafio pa ti! Vai ao - eu estou aki - !
BJ